<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837</id><updated>2012-02-17T00:51:45.584-02:00</updated><title type='text'>reflexos e impressões</title><subtitle type='html'>Escrevo para mostrar um pouco de mim, um pouco do que penso.
Escrevo para descobrir o resto de mim.
Penso pra escrever, escrevo pra pensar e pra fazer pensar.
Escrevo pra viver e para um dia, quem sabe, viver para escrever.
Farei deste espaço o reflexo do meu ser e o arquivo de minhas impressões.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-2196676149155732599</id><published>2012-02-15T17:49:00.000-02:00</published><updated>2012-02-15T17:49:05.072-02:00</updated><title type='text'>Amália, uma mulher em termos</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ela, a esposa, acordava mais cedo para por o café na mesa. Ele, o marido, sentava e lia o jornal como de costume. Não conversavam. Não se tratava de um silêncio incomodo. Era apenas mais um no recinto. Mais um calado na mesa do café.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ele lia parte do jornal até finalizar sua xícara, e ia pra sala terminar os últimos cadernos, que chamava de amenidades. Então emendava sua atenção aos programas de esportes da manhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Não tiveram filhos. Não quiseram por um tempo, e depois pararam de falar no assunto. Foi quando pararam de falar sobre qualquer assunto. Não tiveram gatos, cachorros ou pássaros. Se bastavam um ao outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Viviam de renda que não era muita, mas não se podia reclamar. Ela cuidava da casa, das coisas. Ele cuidava do tempo. Cuidava para que voasse e que a vida os fizesse envelhecer com demasiada saúde. Não se tratavam mal ou com desdém, apenas orbitavam a uma distância considerável a ponto de não colidirem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ela às vezes quebrava a rotina perguntando se queria mais uma xícara de café, ou então um pão na chapa. A resposta era sempre a mesma, um grunhido entre o meio sorriso condescendente, sem tirar os olhos do jornal. Não queria o pão e nem qualquer mudança no cotidiano. Bastava que seguissem o script e chegassem ao fim do dia intactos, de pijama, pantufa e gotas de lavanda no travesseiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ela por vezes angustiava. Há muito que não temia o caos. Apenas desejava que viesse sereno para que pudesse lidar com ele. Não faria café, serviria conhaque talvez. Certamente que soltaria os cabelos. Mas eram devaneios, que a princípio bastavam pra colorir, mas começavam a ganhar uma dimensão que escapava ao controle.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Um belo dia o incomodo transbordou. Não era o sol que estava mais forte, ou o café que ficara mais fraco. Precisava sair. Olhou pra sala e viu o marido terminando o jornal. Deu a volta por trás da casa, abriu o portão e foi pra rua sem destino. Não percorreu mais que um quarteirão. Voltou pra casa com algumas desculpas ensaiadas, mas ele nem havia notado. Tomou gosto pela aventura sem sentido. Atitudes despropositadas. Vida sem motivo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Começou a ousar mais. Demorava-se nas voltas. Percorria ruas do bairro que não conhecia. Voltava sempre na esperança de ter que explicar aquele rompante. Ele não perguntava. Sequer percebera mudanças naquela casa tão cheia de vazios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Passou a se enfeitar. Cabelos brancos discretamente reparados com tinta de farmácia. Batom de tons claros, roupas que antes não usava, sapatos que não mais usaria. Já distribuía bom dia às pessoas e tratava as vizinhas pelo nome. E a sua ausência a substituía com méritos dentro de casa. Nenhuma palavra era mencionada sobre a não tão instantânea mudança de hábito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Então houve a manhã que saiu pela porta da frente. Arrumada e disposta a voltar tarde. Levou parte do jornal abandonado sobre a mesa do café para ter quem lhe fizesse companhia na hora do almoço. Desafiava o aperto no seu peito com canivete em punho. E desta vez se houvesse perguntas responderia aos berros. Não ouviu qualquer murmúrio quando fechou a porta de entrada. Por isso não disse nada também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Sentou na praça e com medo de voltar pra casa. Apenas leu os anúncios de missa de sétimo dia. Uma das missas aconteceria a duas quadras dali. A de um professor aposentado. Pensou que certamente a companhia da aura da morte seria mais agradável do que o jornal roto e sua angustia viva.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Lá chegando foi sentar-se num dos últimos bancos, numa espécie de invisibilidade momentânea. Estava próxima apenas de um senhor de barba, chapéu e óculos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“A senhora conhecia o morto?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Não quis explicar. Sentiu vergonha do motivo. “Em termos”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“Hum, ‘em termos’.” Balançou a cabeça ironizando “Todos que estão aqui, aqueles ali na frente, também o conheciam ‘em termos’. Choram como se tivessem perdido um ente querido. Em vida esse homem não lhes servia. Como morto lhes faz um favor.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“O senhor deve estar muito abalado pela morte do professor. Não pode estar falando sério”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ele sorriu, ajeitou o chapéu e inclinou em sua direção “Este morto faz um favor aos vivos, e faz um favor a si mesmo. Sua partida lhes deixa a vontade pra tomar uma série de decisões que estavam a patinar. Cada um daqueles será obrigado a encarar pendências que adiam por anos. E o morto? Bom o morto vai viver na paz que sonhou. Vai viver o que desejava, o que obrigações, convenções, laços mal feitos e outros tantos desfeitos o impediam. O morto se vai e como herança deixa sua dignidade inabalada, porque a morte não é fuga. A morte é partir à revelia”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“É uma bela metáfora, senhor. Não saberia lidar com tudo isso dessa forma.” Disse ela, também se inclinando em sinal de cumplicidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;“Minha senhora, costumamos não lidar com as coisas que se apresentam, a menos que elas se imponham. Repito, a morte aqui é um acontecimento unilateral. Não há culpados, não há debates, não há mágoas. Há apenas o inevitável, sem discursos ou argumentos. O morto parte como deve ser, e os vivos vivem a ausência que se impõem.” Olhou para os lados como se despedisse, e num suspiro levantou-se. Fez uma meia reverência com o chapéu e finalizou “foi um prazer tê-la conhecido ‘em termos’. Tenha uma boa vida, e claro, se me permite o trocadilho, uma boa morte também”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Ele foi caminhando para fora a Igreja e ela disse num murmúrio “Tenha uma boa vida o senhor também, Professor”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Passaram-se três dias. Aquela casa vazia, jornal na mesa e uma xícara sem café. O marido lia e relia a página do obituário. Não conseguia lembrar-se de onde, mas conhecia aquele nome. “’Amália Nascimento Correa’...de onde meu Deus?!”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-bottom: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #222222; font-family: &amp;quot;Arial Narrow&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;Há três dias lidava com o fato de ter na mente um nome que não ligava a pessoa. Há três dias que não percebia que sua xícara não tinha mais café e que o jornal não havia sido trocado. Há três dias que Amália partira à revelia pra conhecer todos os termos de si mesma e lhe deixava de herança apenas um obituário. Um adeus com dignidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-2196676149155732599?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/2196676149155732599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=2196676149155732599&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2196676149155732599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2196676149155732599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2012/02/amalia-uma-mulher-em-termos.html' title='Amália, uma mulher em termos'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-1169057211685258</id><published>2012-01-26T14:49:00.000-02:00</published><updated>2012-01-26T14:49:59.102-02:00</updated><title type='text'>Felizes para sempre</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Findo o jantar, o rapaz a levou até a porta de casa. Ela segurou em suas mãos, deu um longo suspiro e disse “Meu coração está apertado. Você é um homem maravilhoso, inteligente sagaz, carinhoso. Sei que se te beijar vou me apaixonar. Vou sonhar com você por noites a fio. Fazer planos. Querer filhos. Você vai hesitar, me magoar, partir meu coração. Vou me tornar uma louca, ligar pra você nas piores horas, vou querer atenção, vou implorar pra que não me deixe. Vou te perseguir. Melhor mesmo que não me beije.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;O rapaz ainda atônito com todas aquelas previsões macabras de um provável futuro próximo, não havia largado as mãos trêmulas da moça. Tentou argumentar. “Mas...como pode saber...” e ela não o deixou terminar. “Sei que vai ser assim. Olhando seus olhos já vejo nossos filhos brincando. São três, dois meninos e uma menina. Todos com seus olhos” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;O rapaz recolheu então suas mãos nos bolsos traseiros da calça. Gotículas de suor frio já podiam ser percebidas em sua testa. E a moça continuava “então teríamos gatos e cachorros, um carro grande para os fins de semana pra que você pudesse manter esse seu carro de solteiro que tanto gosta. Vejo tudo isso. Não consigo me ater ao que seria nosso primeiro beijo. Nossas vidas entrelaçadas pra sempre, se desenrolando bem aqui na nossa frente como um longo tapete vermelho. Basta que caminhemos sobre ele e façamos nossa felicidade. Sei então que vai hesitar, e por isso não posso te beijar. Você não pode ficar marcado como o homem que vai destruir meu coração, certo?”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;As chaves do carro já dançavam na mão do moço. As costas da mão deslizaram pela testa pra enxugar os sinais de resistência, orgulho masculino por tantas gerações. E num movimento rápido e preciso balançou a mão da moça numa despedida quase ofegante. “Acho que você tem razão. Somos novos, nosso primeiro encontro, não quero ser responsável por tantas desilusões”. A moça sorriu um sorriso triste, franziu a testa o quanto pode e fez questão de evidenciar aquela minúscula lágrima presa no canto dos olhos. Não a derrubou. Achou que seria mais dramático. Então balançando as mãos num tom de voz vacilante, soluçou baixinho “Adeus. Seja feliz”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Entrou em casa e logo foi surpreendida pela irmã “Você é inacreditável. Usou o discurso de não te beijarei porque vai destruir meu coração de novo?”. A moça se voltou para a irmã com cara enfurecida “você me armou com um cara que gosta de ‘asa de águia’? Ele foi de casa ao restaurante chacoalhando o corpo ao som de ‘dança da manivela’. E depois disse que não perde Zorra Total. O que você queria que eu fizesse?”. Era o décimo que ela botava pra correr daquele jeito. Nenhum homem sobrevivia àquele discurso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Após poucas semanas, estava sozinha em um restaurante. Um homem pediu pra sentar em sua mesa pela falta de lugares disponíveis. A moça balançou a cabeça assertivamente. Era lindo. A voz grossa, peito largo. Postura impecável. Falava baixo e falava pouco. Pelo pouco que puderam ver, tinham muito em comum. Ela estava terminando o livro que ele tinha começado. Os favoritos do Ipod de ambos eram quase todos os mesmos. Frequentavam praticamente os mesmos lugares, e ele até lamentou com certa incredulidade o fato de nunca terem se encontrado antes. Trocaram telefones e combinaram de sair. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Saíram poucos dias depois. Cinema e um bar com som ambiente. Falaram de viagens, de bebidas, comidas, família. Ambos odiavam Asa de Águia e Zorra Total. Riam e riam alto, porque também compartilhavam o gosto pela cerveja e sua natural reincidência, copo após copo. A certa altura da noite ela já não podia disfarçar o seu encantamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Pagaram a conta e ele a acompanhou até a porta do bar. Segurou em sua mão, olhando dentro de seus olhos, disse “Não posso te beijar. Sou assassino confesso de minha ex mulher. Paguei minha pena com a sociedade, mas não me livro dessa minha repugnante e abjeta misoginia. Vago pelo mundo odiando mulheres e querendo possuí-las apenas para matar meu prazer e depois enche-las de porrada. Já fiz tratamento, mas não me curo. Não respeito mulher no trabalho, não respeito mulher no trânsito, não respeito mulher em nenhuma circunstância. E já que estou confessando, não respeito sequer minha mãe.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;A moça estupefata mal se deu conta de que enquanto uma das mãos do homem segurava seu braço, a outra fazia sinal para um taxi que se aproximava. Deu-lhe um abraço apertado, um suspiro triste, daqueles que arrastam o mundo, e acrescentou “você é especial demais pra se amarrar a um pulha como eu. Não posso te oferecer nada além do que essa sina que me persegue. Sofreria por te fazer sofrer.” Num rodopio, abriu a porta do taxi, acomodou a moça no banco traseiro e mandou o motorista tocar. “Adeus, é com o coração partido que te vejo ir embora. Seja feliz!".&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Demorou uns minutos pra moça recuperar a respiração. Sentiu um remorso pela doença e um aperto no coração por ter encontrado o homem de sua vida e ele com toda essa degeneração. E mais angustiada ficou quando se viu tão especial aos olhos daquele homem, que a poupou de seu julgo e violência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Foi quando de repente percebeu a cena. Vitima de si mesma. Idiota! Aquele era a sua tática. Discurso rápido, autopiedade, inflacionar o ego alheio, provocar medo sem sequer haver um dedo de ameaça. Não estava acreditando. Estava ali, sozinha naquele taxi vagando sem destino, e ”...espera...filha da puta! Aquele homem ficou com a minha carteira”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-1169057211685258?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/1169057211685258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=1169057211685258&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/1169057211685258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/1169057211685258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2012/01/felizes-para-sempre.html' title='Felizes para sempre'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-5933314527569598973</id><published>2012-01-13T14:59:00.000-02:00</published><updated>2012-01-13T14:59:31.214-02:00</updated><title type='text'>Correndo de, correndo para</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-RDvV5Ta5PGA/TxBit2UYBSI/AAAAAAAAJO8/GwAuBMxElrM/s1600/run.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://1.bp.blogspot.com/-RDvV5Ta5PGA/TxBit2UYBSI/AAAAAAAAJO8/GwAuBMxElrM/s400/run.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Não tomo remédios pra me curar das angustias que vem e vão. Optei por correr e suar à exaustão qualquer incômodo ou ansiedade. Acho que resolve. Ou talvez não. Talvez seja apenas um excesso de endorfina que me permite uma nebulosidade temporária e um desfoque que, sem dúvida, é mais agradável do que a primeira sensação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;É meu álcool, meu rivotril. Meu remédio. Não vou fazer apologias ao método natural sem contra indicações, pois elas existem. Meu joelho sofre, meus pés sempre estão em frangalhos e, segundo minha dermatologista, acelera o envelhecimento da pele em pelo menos duas vezes. E como qualquer pessoa que faz uso de substâncias que lhes proporcionam bem estar, ignoro os aspectos negativos da bula. Sigo correndo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Claro que os primeiros cinco minutos de passadas todo o meu corpo manda mensagens agressivas, em forma de protesto, questionando a submissão àquela tortura extenuante e sem propósito. Algum condutor firme e forte – e porque não surdo – continua sua empreitada. A ordem é “apenas continuem” e assim passa o primeiro quilômetro. E ai começa a onda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Não preciso mais me concentrar em inspirar duas vezes, expirar duas vezes. Membros inferiores estão todos dormentes, espécie de transe cadenciado, que a física mecânica chama de inércia. O vento já é meu companheiro e a solidão é agradável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Sempre tem música. Algumas vezes playlists preparadas, outras no shuffle para que eu seja surpreendida. E um filme desconexo passa pela minha cabeça. Eu viro outra pessoa num mundo com regras diferentes e combinações tentadoras. Seleciono meus personagens e os transformo para que se adequem ao meu enredo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Alguma reação química faz com que as cores se polarizem e que as mágoas vazem pelos poros. Costumo perdoar e compreender a partir do quarto quilômetro, e no sexto tenho todo um plano pronto pra conversas e reconciliações. Nem sempre elas acontecem, mas pra alguém que não comunga em qualquer religião me funciona bem como penitência. Relevo, e sigo. Sigo correndo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;E então quando penso que já não há mais problemas, me entrego ao êxtase. Geralmente estou entre o sétimo e o oitavo quilômetro e algumas bizarrices acontecem. Se estou segura do caminho, fecho os olhos só pelo simples prazer de potencializar a sensação do vento na pele molhada e do sangue bombando nas veias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Se estou a beira mar, desligo o som pra ouvi-lo e fecho os olhos, deixando a máquina no piloto automático. E se o que dizem aqueles que meditam que o intuito é varrer tudo da mente até não pensar em nada, digo “aqui estou, mas vim por caminhos diferentes”. Pronto, começo a correr a esmo até o maquinista surdo autorizar os primeiros comunicados de fadiga e dor serem protocolados e atendidos. Desacelero até a caminhada devagar e sentir que não domino o corpo, e assim poder esticar cada membro pra que ele cresça e talvez prolongue a sensação de bem estar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Seguem os suspiros. Sigo só. Sinto, apenas, que não sinto nada. E não sentir nada é o que procuro de tempos em tempos. Não corro de nada, corro pro nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-5933314527569598973?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/5933314527569598973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=5933314527569598973&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/5933314527569598973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/5933314527569598973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2012/01/correndo-de-correndo-para.html' title='Correndo de, correndo para'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-RDvV5Ta5PGA/TxBit2UYBSI/AAAAAAAAJO8/GwAuBMxElrM/s72-c/run.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-627947077915616333</id><published>2011-07-05T11:56:00.006-03:00</published><updated>2012-01-03T12:08:03.801-02:00</updated><title type='text'>1986 – O Gol de Zico</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Eram apenas dez anos de vida e minha segunda copa do mundo. Adorava aquele time do Brasil, embora quando criança não entendesse nada de esquemas táticos ou funções de cada jogador dentro da partida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Julgava nosso goleiro Carlos como o melhor do mundo, afinal eu não o vira tomar gol até aquele jogo. O time todo era muito bom. Careca, Sócrates, Alemão, o Muller novinho e claro, o Zico.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O camisa dez tinha classe, categoria, técnica e inteligência acima do comum. Seus dribles espetaculares e seus gols, mágicos. Personificava o inconsciente coletivo do camisa dez.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Zico passara o ano anterior se recuperando de uma lesão no joelho, mas nunca deixou de ser o craque que mudaria qualquer situação. E foi exatamente o que aconteceu naquele dia 21 de junho de 1986.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Jogo era pelas quartas de final contra a seleção da França de Michel Platini. Aquele ano já havia acontecido desastres demais: O Sarney era presidente e surpreendia o país com seu o plano cruzado, a nave espacial Challenger havia explodido e Chernobyl contaminava o mundo com sua enorme nuvem radioativa. E na história das copas, o Brasil não ganhava havia 16 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Todos em suas casas aguardavam a partida em Guadalajara, México. Era o mesmo país palco da glória de 70. Seria o destino preparando um reencontro com a vitória?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;No Brasil, as ruas pintadas, as caras apreensivas, o silêncio angustiante dos rojões. O trauma mal cicatrizado da queda em 1982 ainda pulsava. Se esse time de 86 era bom, o de 82 fora incrível. Mas o incrível caíra diante os pés impiedosos de Paolo Rossi.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Essa seria a hora da redenção de Telê Santana, que teria de fazer seu time voar. Havia uma necessidade coletiva, uma ânsia amarga para que o tempo fizesse justiça à seleção que havia perdido para a Itália.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O primeiro tempo foi marcado por lances geniais, especialmente o que se tornou o primeiro gol do Brasil. Josimar, pela direita e passa para Muller que ao seu melhor estilo, recebe de costas para o gol. Faz o pivô deixando três franceses para trás. Avança pela meia direita, passa para Júnior que corria a poucos metros. Com apenas um toque suave na bola, Junior coloca Careca de frente para o gol. Foi um chute preciso. Brasil um a zero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-b0f3bf029b4d18f4" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db0f3bf029b4d18f4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331732195%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61901E428F4F5B4C8D2FAB2FC47F5841CB9A153A.597B6389D18AA005FCFF00717559E92D776E2262%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db0f3bf029b4d18f4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DP_XZ333-XjH0JCQPXk7dZFOJgEM&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt6.googlevideo.com/videoplayback?id%3Db0f3bf029b4d18f4%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331732195%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61901E428F4F5B4C8D2FAB2FC47F5841CB9A153A.597B6389D18AA005FCFF00717559E92D776E2262%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Db0f3bf029b4d18f4%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DP_XZ333-XjH0JCQPXk7dZFOJgEM&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Os franceses não desanimaram e o jogo esquentou. Pouco mais de vinte minutos, Carlos era vazado pela primeira vez. Amoros cruzou pela direita, Carlos não pega e Platini completa. Jogo empatado. Dentes e punhos cerrados. Frio na barriga.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Era aniversário de Platini, mas a festa era pra Zico. De fora da partida até os vinte e sete do segundo tempo, o camisa dez mal entrara e já colocava Branco de cara para o gol. Zico rolou tão perfeitamente a bola para Branco entrar na área, que o goleiro francês Bats foi obrigado a fazer o Pênalti.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Zico, mesmo frio, pegou a bola. Com leveza, carregou um mundo verde-amarelo em seus ombros. Ao mesmo tempo, jogadores da seleção se abraçavam de felicidade. O momento era aquele. Pênalti e Zico significavam meio gol.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;O Galinho ajeitou e deu três passos largos para trás. Olhos nos olhos com Bats, mas sinalizou um momento de fraqueza. Deixou que o goleiro percebesse o segundo em que mirava seu canto esquerdo. Conteve o suspiro. Não sonhou com a glória, não ouviu a torcida. Não sentiu a ansiedade de seus companheiros. Não teve medo. Chutou com classe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Ainda fitando o canto esquerdo do goleiro, pegou caprichosamente mais embaixo da bola fazendo com que ela subisse em uma trajetória singular. Um arco que seria assunto em telejornais do mundo. Equações matemáticas seriam insignificantes para traduzir o que foi a simplicidade do movimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Não encobriu o goleiro, pois este caiu na ardilosa armadilha de Zico. Ficou lá, deitado para sempre na história naquele minúsculo metro quadrado ao lado de sua trave esquerda. Bats não teve tempo de ver a bola, bem no centro do gol que ainda antes de cair passara rente ao travessão. Os jogadores do Brasil já a levavam ao centro de campo, juntamente com o herói da classificação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Zico já estava na história, afinal, depois de Pelé nunca se vira alguém vestir com tanta maestria e perfeição uma camisa dez. Zico agora estava na história juntamente com a glória de ter entrado para um jogo apenas para mudar seu destino, e com ele o destino da seleção brasileira.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-186fb89712a84c17" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v9.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D186fb89712a84c17%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331732195%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D344FC545A4BA2BE7C866F6FC4CEE3810F3ED7BC2.832E4B9B880BC721A0868532718266F393C54562%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D186fb89712a84c17%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dr7WoYaWJAX1eGnyxWWD3gSCoraE&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v9.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D186fb89712a84c17%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331732195%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D344FC545A4BA2BE7C866F6FC4CEE3810F3ED7BC2.832E4B9B880BC721A0868532718266F393C54562%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D186fb89712a84c17%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dr7WoYaWJAX1eGnyxWWD3gSCoraE&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;PS.: Este texto foi escrito há mais de um ano e transportado para este blog somente agora. Retomando meu blog por conta deste texto&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-627947077915616333?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/627947077915616333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=627947077915616333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/627947077915616333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/627947077915616333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2011/07/1986-o-gol-de-zico.html' title='1986 – O Gol de Zico'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-6765326173019138065</id><published>2008-11-24T22:30:00.001-02:00</published><updated>2008-11-25T18:25:35.710-02:00</updated><title type='text'>As paixões que não se explicam</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;&lt;a href="http://lh6.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SSxfOPc5VxI/AAAAAAAAC0I/Ko89MTcnfOA/s1600-h/futebol%20blog.jpg"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="358" alt="futebol blog" src="http://lh5.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SStHKWcYdVI/AAAAAAAAC0M/Aw7aN9OD7t4/futebol%20blog_thumb.jpg?imgmax=800" width="468" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;Faltando duas rodadas para acabar o campeonato brasileiro, j&amp;#225; &amp;#233; poss&amp;#237;vel dizer com certeza quem ser&amp;#225; o campe&amp;#227;o. N&amp;#227;o ser&amp;#225; o meu time, pois ao longo da corrida cometeu alguns erros &amp;#8211; imperdo&amp;#225;veis ou n&amp;#227;o, todos parte do jogo, literalmente. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;Mas eram tantos os candidatos ao posto que, na minha conclus&amp;#227;o, ir&amp;#225; se sagrar campe&amp;#227;o n&amp;#227;o o melhor (acho que h&amp;#225; muito que n&amp;#227;o se v&amp;#234; &lt;em&gt;&amp;quot;o melhor&amp;quot;&lt;/em&gt; como aquele time do Palmeiras de 96, do S&amp;#227;o Paulo de 92, do Flamengo de 83 ou at&amp;#233; do Santos de 2002), mas o que errou menos e se beneficiou mais dos erros alheios (os da arbitragem, inclusive).&lt;/font&gt;&lt;/p&gt; &lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;   &lt;p align="center"&gt;Contudo, competi&amp;#231;&amp;#227;o &amp;#233; assim mesmo, apenas um ganha enquanto outros muitos perdem e a divers&amp;#227;o fica por conta da comemora&amp;#231;&amp;#227;o. Espezinhar o torcedor do time advers&amp;#225;rio faz parte, ali&amp;#225;s, &amp;#233; a melhor parte. Gritar, vestir a camisa, hastear a bandeira, ver e rever os gols, guardar o p&amp;#244;ster mequetrefe que vem no jornal do dia seguinte. &amp;#201; previs&amp;#237;vel, est&amp;#225; dentro do contexto. &amp;#201; saud&amp;#225;vel e, acima de tudo, necess&amp;#225;rio.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Mas tem o outro tipo de comemora&amp;#231;&amp;#227;o que &amp;#233; a daquele torcedor que n&amp;#227;o se contenta em tripudiar, mas racionaliza a paix&amp;#227;o argumentando que por ser o seu time o campe&amp;#227;o nenhum outro vale a pena. Com mais uma vit&amp;#243;ria do S&amp;#227;o Paulo j&amp;#225; apareceram alguns desse tipo no caminho, o que me faz lembrar que foi exatamente essa atitude que ratificou minha ren&amp;#250;ncia pelo S&amp;#227;o Paulo h&amp;#225; alguns anos.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Explico. Houve um tempo em que eu brincava de barbie e o futebol, com exce&amp;#231;&amp;#227;o da sele&amp;#231;&amp;#227;o, n&amp;#227;o me interessava. Era come&amp;#231;o dos anos oitenta, e se me perguntavam para que time eu torcia, apenas olhava pra minha m&amp;#227;e e sinalizava que concordava com sua prefer&amp;#234;ncia pelo Corinthians.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Foi quando, j&amp;#225; no in&amp;#237;cio dos 90, minha turma do pr&amp;#233;dio rateou o sal&amp;#227;o para que todos pudessem assistir uma partida do S&amp;#227;o Paulo v&amp;#225;lida pelo mundial. Seria a conquista do primeiro t&amp;#237;tulo. Compareci, e a princ&amp;#237;pio simpatizei com aquele time - como n&amp;#227;o simpatizar com um time que tem Ra&amp;#237;?&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;A vit&amp;#243;ria veio e, conseq&amp;#252;entemente, a comemora&amp;#231;&amp;#227;o. O n&amp;#250;mero de s&amp;#227;o-paulinos no recinto era superior, embora houvessem torcedores diversos. A rea&amp;#231;&amp;#227;o dos vitoriosos foi instant&amp;#226;nea: era moda dizer que &amp;#8220;torcer pro S&amp;#227;o Paulo &amp;#233; uma grande moleza&amp;#8221; e logo o argumento de que os perdedores somente assim o eram por suas m&amp;#225;s escolhas, equ&amp;#237;vocos, irracionalidade ou at&amp;#233; mesmo burrice. Como n&amp;#227;o torcer para aquele time!?!&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;No mesmo instante a simpatia que havia sentido se esvaiu. A arrog&amp;#226;ncia era pat&amp;#233;tica. Todos aqueles meus amigos imbu&amp;#237;dos de uma superioridade que lhes parecia ter sido conferida por algo predeterminado, divino. Senti pena daqueles que eram perdedores sem que ao menos seus times tivessem entrado em campo.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Dizem que cada vez que um time ganha acaba arrebanhando centenas, milhares de torcedores &amp;#243;rf&amp;#227;os. N&amp;#227;o da para explicar a minha ojeriza: eu acabara de ver um time sagrando-se campe&amp;#227;o do mundo e ao mesmo tempo compreendia que n&amp;#227;o havia qualquer possibilidade de compartilhar aquela alegria. &lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Pouco tempo depois fui a um jogo do Palmeiras com amigas. Fui para n&amp;#227;o perder a balada, despretensiosamente. E ent&amp;#227;o, foi amor a primeira vista. Minha identifica&amp;#231;&amp;#227;o com a camisa, com o time, com a torcida que cantava e vibrava. E nem era um jogo decisivo. Paix&amp;#227;o n&amp;#227;o se explica, apenas sente-se. E de forma arrebatadora. &amp;#201; incondicional.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Ao contr&amp;#225;rio do que era vociferado pelos s&amp;#227;o-paulinos enlouquecidos pela vit&amp;#243;ria, n&amp;#227;o conseguia sentir que estava tomando o caminho errado. N&amp;#227;o posso me arrepender da escolha, pois n&amp;#227;o escolhi. Fui escolhida.      &lt;br /&gt;Falo disso hoje, pois ontem fui assistir ao jogo do meu time, j&amp;#225; sem chances de ser campe&amp;#227;o nessa temporada. N&amp;#227;o houve sensa&amp;#231;&amp;#227;o de vazio, pelo contr&amp;#225;rio. Foi alegre, bonito, acolhedor. Foi leve, no sentido mais amplo e positivo do termo. &lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;N&amp;#227;o pretendo fazer disso minha resposta aos muitos torcedores que intencionam racionalizar aquilo que foi feito justamente para iludir, sonhar e at&amp;#233; suprir o sentimento belicoso. Mas acho que pode servir de desabafo &amp;#224;queles que ainda gastam seu precioso tempo argumentando o porqu&amp;#234; de seu time ser o melhor.&lt;/p&gt;    &lt;p align="center"&gt;Gostaria, tamb&amp;#233;m, que fosse resposta &amp;#224;queles que fatalmente deixar&amp;#227;o seus coment&amp;#225;rios sem profundidade ap&amp;#243;s ler meu texto, mas como sei que n&amp;#227;o servir&amp;#225; sequer como reflex&amp;#227;o, deixo ao menos, e antecipadamente, meu lamento. &lt;/p&gt; &lt;/font&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-6765326173019138065?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/6765326173019138065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=6765326173019138065&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/6765326173019138065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/6765326173019138065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2008/11/as-paixes-que-no-se-explicam.html' title='As paixões que não se explicam'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SStHKWcYdVI/AAAAAAAAC0M/Aw7aN9OD7t4/s72-c/futebol%20blog_thumb.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-2011380066992386277</id><published>2008-11-06T16:27:00.001-02:00</published><updated>2008-11-06T16:44:56.144-02:00</updated><title type='text'>O ESPAÇO QUE OCUPA O VAZIO</title><content type='html'>&lt;h3 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h3&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Tahoma" size="3"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SRM2-5WeSyI/AAAAAAAACxw/zzUysSOBb5E/vazio%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="434" alt="vazio" src="http://lh6.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SRM2_zRztqI/AAAAAAAACx0/4psdS_uI5d0/vazio_thumb%5B1%5D.jpg" width="565" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="4"&gt;Com tobog&amp;#227; e andar vazio, 28&amp;#170; Bienal de SP &amp;#233; aberta para o p&amp;#250;blico&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;     &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="3"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;   &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="3"&gt;A 28&amp;#170; Bienal de S&amp;#227;o Paulo foi aberta neste domingo (26) para o p&amp;#250;blico. A mostra, que aconteceu no Ibirapuera, segue at&amp;#233; 6 de dezembro. A entrada &amp;#233; gratuita.&amp;#160; &lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="3"&gt;Os visitantes encontram uma &amp;#225;rea de servi&amp;#231;os no primeiro andar, al&amp;#233;m de dois projetos de artistas participantes, como a obra &amp;#8220;Talism&amp;#227;&amp;#8221;, do norte-americano Paul Ram&amp;#237;rez Jonas. L&amp;#225;, o visitante poder&amp;#225; trocar a chave de sua casa pela chave que abre a porta do pavilh&amp;#227;o da Bienal.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="3"&gt;O segundo andar inteiro vai permanecer completamente vazio. &amp;#8220;A id&amp;#233;ia &amp;#233; propor uma reflex&amp;#227;o sobre o sistema das Bienais&amp;#8221;, disse Ivo Mesquita, um dos curadores da mostra. &amp;#8220;A ocupa&amp;#231;&amp;#227;o do espa&amp;#231;o &amp;#233; uma quest&amp;#227;o fundamental.&amp;#8221; Para Ana Paula Cohen, outra curadora, a iniciativa &amp;#233; importante tamb&amp;#233;m para que o visitante tenha a oportunidade de observar a estrutura do edif&amp;#237;cio.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;h1 align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="3"&gt;J&amp;#225; no terceiro piso haver&amp;#225; trabalhos que abordam de alguma maneira aspectos da hist&amp;#243;ria da Bienal de S&amp;#227;o Paulo, al&amp;#233;m de uma biblioteca e um espa&amp;#231;o para confer&amp;#234;ncias&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial Narrow" size="4"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SRM3Ame24EI/AAAAAAAACx4/kOWKLP1PoNU/vazio2%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="389" alt="vazio2" src="http://lh6.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SRM3Brjw8TI/AAAAAAAACx8/QBIV1b83tac/vazio2_thumb%5B1%5D.jpg" width="562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;O vazio &amp;#233; o nada. &amp;#201; aus&amp;#234;ncia de tudo. &amp;#201; a falta de preenchimento de algo. &amp;#201; oco, inodoro, incolor e qui&amp;#231;&amp;#225; ins&amp;#237;pido. &amp;#201; desprovido de conte&amp;#250;do. &amp;#201; vazio.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;Um tanto anacr&amp;#244;nico considerar a proposta do vazio na 28&amp;#186; Bienal de Artes de S&amp;#227;o Paulo sendo algo de vanguarda. A todo o momento somos estimulados a lidar com a complexidade do m&amp;#250;ltiplo, o ac&amp;#250;mulo material e intelectual, o preenchimento do tempo e do espa&amp;#231;o a fim de suprir as necessidades existentes. Somos impulsionados ao consumo. A satisfa&amp;#231;&amp;#227;o do ser est&amp;#225; intimamente ligada ao ter. A felicidade &amp;#233; moeda de troca: s&amp;#243; &amp;#233; feliz aquele que se realiza ao mesmo tempo na vida pessoal e profissional.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;Quando h&amp;#225; o vazio, h&amp;#225; a impress&amp;#227;o de que algo saiu errado. Logo somos levados a crer que os objetivos n&amp;#227;o foram alcan&amp;#231;ados; falhamos. Existe uma incompet&amp;#234;ncia subtendida no conceito do vazio que chega a superar a pr&amp;#243;pria percep&amp;#231;&amp;#227;o da aus&amp;#234;ncia. Pode-se dizer que a angustia que toma conta de nossos sentidos chega ser um alento, pois ela preenche a sensa&amp;#231;&amp;#227;o do nada que havia at&amp;#233; ent&amp;#227;o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;N&amp;#227;o pretendo dissertar sobre as pretens&amp;#245;es art&amp;#237;sticas do Curador da Bienal ao propor esse debate, at&amp;#233; porque estou a anos luz de ser uma entendida do assunto. Segundo Ivo Mesquita, atual curador da Pinacoteca do Estado de S&amp;#227;o Paulo, a inten&amp;#231;&amp;#227;o do vazio &amp;#233; chamar para uma conversa. &amp;quot;Resolvi assumir e dar a cara para bater. &amp;#201; uma Bienal bastante pol&amp;#234;mica e entendo se ela for controversa. N&amp;#227;o haver&amp;#225; exposi&amp;#231;&amp;#227;o no sentido formal. Odiaria ter que fazer uma exposi&amp;#231;&amp;#227;o tamp&amp;#227;o, convidando artistas sem fazer uma pesquisa. Tive dez meses para preparar a Bienal, quando o prazo normal &amp;#233; dois anos. Fiz o que pude no tempo que tenho&amp;quot;, disse.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;Mas acho que a proposta vai alem. A quest&amp;#227;o primordial &amp;#233; saber o quanto esse &amp;#8220;Vazio&amp;#8221; incomoda? Pelo espa&amp;#231;o que ocupou na cr&amp;#237;tica especializada, superando at&amp;#233; mesmo aquele destinado a falar das artes ali expostas, sou for&amp;#231;ada a concluir que ocupou uma dimens&amp;#227;o bastante desconfort&amp;#225;vel.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;Milan Kundera exp&amp;#245;e sobre o assunto maravilhosamente bem quando escreve &amp;#8220;O drama da vida sempre pode ser explicado pela met&amp;#225;fora do peso. Dizemos que temos um fardo nos ombros. Carregamos esse fardo, que suportamos ou n&amp;#227;o, lutamos com ele, perdemos ou ganhamos&amp;#8221;. Mas quando o drama &amp;#233; configurado sobre o vazio, quando n&amp;#227;o h&amp;#225; o tal peso e sim a sua aus&amp;#234;ncia, n&amp;#227;o sabemos como proceder &amp;#8220;(...) Seu drama n&amp;#227;o era o drama do peso, mas da leveza. O que se abatera sobre ela n&amp;#227;o era um fardo, mas a insustent&amp;#225;vel leveza do ser&amp;#8221;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;Por isso o peso do Vazio &amp;#233; t&amp;#227;o insuport&amp;#225;vel. N&amp;#227;o aprendemos ainda a lidar com ele: o inimigo invis&amp;#237;vel. Ent&amp;#227;o criamos um milh&amp;#227;o de moinhos de vento para dar visibilidade aos nossos dramas e lutarmos em termos de igualdade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;O vazio nos afronta, nos desafia a todo o momento a sermos criativos, a pensarmos e a olharmos para n&amp;#243;s mesmos sem espelhos. Isso seria &amp;#243;timo se n&amp;#227;o fossem os efeitos colaterais como o esse est&amp;#237;mulo para preenche-lo com um sem n&amp;#250;mero de objetos e informa&amp;#231;&amp;#245;es desnecess&amp;#225;rias. Ent&amp;#227;o, paradoxalmente, a cultura se esvai nessa monstruosa quantidade de produ&amp;#231;&amp;#245;es, frases e cria&amp;#231;&amp;#245;es em s&amp;#233;rie. Somos, ao final, desguarnecidos por essa avalanche de conceitos e formas, que nada nos acrescenta ao passo que nos usurpa de contemplarmos a insustent&amp;#225;vel leveza do Vazio.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="taho" size="4"&gt;OBS.: N&amp;#227;o saberia dizer, mas tenho a impress&amp;#227;o que a cada ano que passa os enfeites de natal s&amp;#227;o colocados a mostra cada vez mais cedo, como se de alguma forma eles pudessem ocupar o restante do ano que falta para acabar. Talvez s&amp;#227;o nessas pequenas coisas que o vazio se anuncia.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-2011380066992386277?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/2011380066992386277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=2011380066992386277&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2011380066992386277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2011380066992386277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2008/11/o-espao-que-ocupa-o-vazio.html' title='O ESPAÇO QUE OCUPA O VAZIO'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh6.ggpht.com/_-InwjltqCtY/SRM2_zRztqI/AAAAAAAACx0/4psdS_uI5d0/s72-c/vazio_thumb%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-2656533384797335762</id><published>2008-10-27T20:56:00.001-02:00</published><updated>2008-10-27T21:02:20.289-02:00</updated><title type='text'>IMPRESSÕES DE MIM MESMA</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;&lt;a href="http://lh4.ggpht.com/laurutsa/SQZHFiGT_LI/AAAAAAAACxM/Wg9wYhM0crU/s1600-h/collage%20copy%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-right: 0px; border-top: 0px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" height="356" alt="collage copy" src="http://lh4.ggpht.com/laurutsa/SQZHHMyNMFI/AAAAAAAACxQ/YpIa4UaWfiY/collage%20copy_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="399" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&amp;#160;&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Nasci no dia de todos os santos. Acendo vela pra todos eles, mesmo n&amp;#227;o sendo cat&amp;#243;lica. Cresci acreditando ser parte de uma experi&amp;#234;ncia, onde pessoas descontroladas, impulsivas&amp;#160; e com lampejos de racionalidade brigavam pelo controle do meu corpo e da minha mente, assim como no filme &amp;#8220;quero ser John Malkovich&amp;#8221;. Com o tempo, passei a fingir n&amp;#227;o acreditar mais nesse devaneio. Com o tempo tamb&amp;#233;m passei a desconfiar da realidade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Sonhei que seria muitas coisas. Alimentei expectativas.Veio o inesperado e descobri que n&amp;#227;o sonho mais em ser: apenas sou, sem me esgotar em defini&amp;#231;&amp;#245;es. Mesmo assim n&amp;#227;o parei ainda de sonhar.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;N&amp;#227;o me engano com frases. O trabalho n&amp;#227;o dignifica o homem nem Deus ajuda aquele que madruga. Tamb&amp;#233;m n&amp;#227;o creio que devemos ser Romanos apenas por estarmos em Roma. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;N&amp;#227;o entendo de vinho. N&amp;#227;o o cheiro&amp;#160; nem&amp;#160; o chacoalho. Tomo e se ao paladar me bastar, prossigo bebendo. Na cozinha, subverto as receitas. N&amp;#227;o sigo regras. Estradas sinuosas n&amp;#227;o me deixam dormir. E se todos os caminhos nos levarem mesmo a Roma, s&amp;#243; quero me sentar &amp;#224; janela para admirar a paisagem - com a &amp;#250;nica certeza, apenas, de n&amp;#227;o me comportar como romano.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Adoro palavras. Sou prolixa ao extremo. Mas me atrai aqueles que sabem quando e como calar. Usa-las com precis&amp;#227;o &amp;#233; uma arte que aprecio.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Gab&amp;#244;, Saramago, Guimar&amp;#227;es sempre me levam &amp;#224;s l&amp;#225;grimas porque fazem bom uso das palavras. Eles me roubam o ar com extrema facilidade. Meu V&amp;#244; tamb&amp;#233;m tem conseguido o mesmo. Mas n&amp;#227;o apenas com palavras.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Ser m&amp;#227;e &amp;#233; olhar pra fora do umbigo; &amp;#233; ausentar-se de si mesma ao mesmo tempo em que somos, paradoxalmente, n&amp;#243;s mesmas com a maior intensidade.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;N&amp;#227;o h&amp;#225; melhor perfume do que cheiro de chuva no ver&amp;#227;o. N&amp;#227;o h&amp;#225; orgasmo t&amp;#227;o intenso quanto ao gol do t&amp;#237;tulo. N&amp;#227;o h&amp;#225; som que se compare ao interst&amp;#237;cio primordial chamado sil&amp;#234;ncio. N&amp;#227;o h&amp;#225; melhor sil&amp;#234;ncio do que aquele compartilhado, quando tudo j&amp;#225; est&amp;#225; entendido e acertado e nada mais precisa ser dito.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;N&amp;#227;o h&amp;#225; melhor fase na vida do que os trinta, pois &amp;#233; quando descobrimos que a melhor fase &amp;#233; aquela que estamos vivendo. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;N&amp;#227;o vivo mais a d&amp;#250;vida. Aceito-a como parte de mim. Assim como minhas loucuras, meus desejos. N&amp;#227;o aceito, apenas, minhas prefer&amp;#234;ncias, Vivo-as como sendo parte de minha ess&amp;#234;ncia. Caf&amp;#233; s&amp;#243; se for amargo. Comida, apimentada. Amigo, incondicional. Amor, s&amp;#243; acompanhado de paix&amp;#227;o. N&amp;#227;o gosto de morno. Aprecio o quente e o frio em seus extremos.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Aos dias que me restam, coleciono planos, metas, esperan&amp;#231;as e surpresas. Mas como &amp;#233; mesmo o inesperado, que muda a vida, aguardo-o com resigna&amp;#231;&amp;#227;o. Aos dias que j&amp;#225; foram, contam apenas as mem&amp;#243;rias distorcidas das palavras que escrevo, de pessoas que aqui estavam e hoje n&amp;#227;o est&amp;#227;o mais. Dos acontecimentos que me fizeram e marcaram. Apenas fragmentos. Nunca os destro&amp;#231;os.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Tahoma" size="4"&gt;Quanto a esse momento, satisfa&amp;#231;o-me apenas em dizer que se me apetecer, no pr&amp;#243;ximo minuto mudo tudo. Apago esse texto e escrevo outro. N&amp;#227;o por frivolidade, mas pela simples sensa&amp;#231;&amp;#227;o de estar viva.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-2656533384797335762?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/2656533384797335762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=2656533384797335762&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2656533384797335762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/2656533384797335762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2008/10/impresses-de-mim-mesma.html' title='IMPRESSÕES DE MIM MESMA'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/laurutsa/SQZHHMyNMFI/AAAAAAAACxQ/YpIa4UaWfiY/s72-c/collage%20copy_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-4535628923788756436</id><published>2008-10-14T01:49:00.001-03:00</published><updated>2008-10-14T02:04:07.888-03:00</updated><title type='text'>O PROTOCOLO DA FÉ</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Tahoma"&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;a href="http://lh5.ggpht.com/laurutsa/SPQk72lxlHI/AAAAAAAACv8/OiCgfaMOlRI/s1600-h/liturgia3%5B3%5D.jpg"&gt;&lt;img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" height="300" alt="liturgia3" src="http://lh4.ggpht.com/laurutsa/SPQk8keJGWI/AAAAAAAACwA/u7UDRCIT5Bc/liturgia3_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800" width="394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Tahoma"&gt;&lt;font size="3"&gt;Der Spiegel -13/10/2008 - Controv&amp;#233;rsia sobre Pio 12 se intensifica: Santidade para o papa do Holocausto?&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;font face="Tahoma"&gt;O papa Bento 16 alimentou na quinta-feira passada as especula&amp;#231;&amp;#245;es sobre a poss&amp;#237;vel beatifica&amp;#231;&amp;#227;o do papa Pio 12, criticado com freq&amp;#252;&amp;#234;ncia por n&amp;#227;o ter feito o suficiente para combater o Holocausto. O Vaticano tem trabalhado duro para melhorar a imagem popular de Pio.        &lt;br /&gt;O papa Bento 16 lan&amp;#231;ou na ter&amp;#231;a-feira uma saraivada de argumentos em defesa de Pio 12. Falando durante uma missa na Bas&amp;#237;lica de S&amp;#227;o Pedro em comemora&amp;#231;&amp;#227;o ao 50&amp;#186; anivers&amp;#225;rio da morte de Pio, Bento disse que o pont&amp;#237;fice, que se tornou papa em 1939 logo antes do irromper da guerra, &amp;quot;trabalhou em sil&amp;#234;ncio e em segredo&amp;quot; durante o conflito &amp;quot;para evitar o pior e salvar o maior n&amp;#250;mero de judeus.&amp;quot;         &lt;br /&gt;Entretanto, nem todo mundo &amp;#233; t&amp;#227;o otimista quanto &amp;#224; perspectiva de santifica&amp;#231;&amp;#227;o de Pio 12. O rabino chefe da cidade de Haifa (em Israel), She'ar Yashuv Cohen, que na segunda-feira se tornou o primeiro judeu a falar diante do conc&amp;#237;lio de bispos do Vaticano, disse que muitos judeus estavam descontentes em rela&amp;#231;&amp;#227;o a Pio.         &lt;br /&gt;Outros n&amp;#227;o foram t&amp;#227;o diplom&amp;#225;ticos. Num livro de 1999 chamado &amp;quot;Hitler's Pope&amp;quot; [&amp;quot;O Papa de Hitler&amp;quot;], o escritor brit&amp;#226;nico John Cornwell documentou o papel de Pio antes de se tornar papa, na negocia&amp;#231;&amp;#227;o do &amp;quot;Reichskonkordat&amp;quot;, tratado assinado entre a Alemanha Nazista e a Igreja Cat&amp;#243;lica em 1933. Muitos historiadores argumentaram que esse acordo fornecia ao regime nazista um grau substancial de legitimidade internacional.         &lt;br /&gt;O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, publicou na ter&amp;#231;a-feira um artigo de p&amp;#225;gina inteira elogiando os esfor&amp;#231;os de Pio durante a 2&amp;#170; Guerra Mundial. O jornal tamb&amp;#233;m inclu&amp;#237;a um texto escrito pelo secret&amp;#225;rio de Estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone. &amp;quot;Se ele tivesse feito uma interven&amp;#231;&amp;#227;o p&amp;#250;blica, teria colocado em perigo a vida de milhares de judeus, que, sob suas ordens, foram escondidos em 155 conventos e monast&amp;#233;rios apenas em Roma&amp;quot;, escreveu Bertone.&lt;/font&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Antes mesmo de comentar a not&amp;#237;cia, preciso me posicionar quanto &amp;#224;s minhas convic&amp;#231;&amp;#245;es. Nem tanto ao c&amp;#233;u, nem tanto ao mar, posso garantir que n&amp;#227;o sou &amp;#237;mpia, mas tenho avers&amp;#227;o a ascetas. N&amp;#227;o fa&amp;#231;o o sinal da cruz quando passo por igrejas ou cemit&amp;#233;rios, e n&amp;#227;o suporto os que fazem e a partir deste ato acreditam-se &amp;#8220;pessoas do bem&amp;#8221;.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Exercito minha espiritualidade, mas h&amp;#225; muito que eliminei a igreja como interlocutora de meus questionamentos para com Deus. N&amp;#227;o suporto pensar que a liturgia seja mais importante que a cren&amp;#231;a. Por isso, abomino todo o arcabou&amp;#231;o burocr&amp;#225;tico da institui&amp;#231;&amp;#227;o. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;E por falar em burocracia, a mais nova preocupa&amp;#231;&amp;#227;o de Bento XVI &amp;#233; a propor ao mundo uma releitura do pontificado de Pio XII, usando como subterf&amp;#250;gio sua beatifica&amp;#231;&amp;#227;o. J&amp;#225; acho por si s&amp;#243; canoniza&amp;#231;&amp;#245;es e beatifica&amp;#231;&amp;#245;es est&amp;#250;pidas; meras tentativas de embalsamar efem&amp;#233;rides das grandes figuras eclesi&amp;#225;sticas; muita apar&amp;#234;ncia para pouca ess&amp;#234;ncia.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Por&amp;#233;m, neste caso a beatifica&amp;#231;&amp;#227;o &amp;#233; muito mais significativa. N&amp;#227;o se trata de apagar o passado daquele que jamais ousou falar qualquer coisa sobre as atrocidades nazistas, mas ressaltar a figura de um santo homem que teria usado o sil&amp;#234;ncio para salvar vidas.      &lt;br /&gt;N&amp;#227;o sou contra releituras de epis&amp;#243;dios da hist&amp;#243;ria. At&amp;#233; me comovo quando personagens s&amp;#227;o reconsiderados e suas inten&amp;#231;&amp;#245;es julgadas de modo adverso originando novas dimens&amp;#245;es, novos paradigmas. Galileu, oras! Mas est&amp;#227;o criando fact&amp;#243;ides. Querem escamotear um epis&amp;#243;dio constrangedor, e ainda na melhor das hip&amp;#243;teses reconstruir a imagem de um Papa que, dizem alguns, compactuou com os alem&amp;#227;es do terceiro reich.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;N&amp;#227;o me atrevo a julgar os motivos do sil&amp;#234;ncio eclesi&amp;#225;stico, mas ouso opinar no sentido mais mundano. Al&amp;#233;m do (desconfia-se) antisemitismo cultuado em sil&amp;#234;ncio pelo Papa Pio XII, h&amp;#225; a sua humana mesquinharia, serena pequenez e a seguran&amp;#231;a de ser t&amp;#227;o somente plat&amp;#233;ia em meio a um espet&amp;#225;culo de horror.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Inevit&amp;#225;vel n&amp;#227;o lembrar dos dizeres de Bertolt Brecht &amp;#8220;Primeiro eles vieram buscar os comunistas. N&amp;#227;o falei nada porque n&amp;#227;o era comunista. Ent&amp;#227;o vieram buscar os judeus.      &lt;br /&gt;N&amp;#227;o falei nada porque n&amp;#227;o era judeu. (&amp;#8230;) Finalmente vieram me buscar. Quando isto aconteceu, n&amp;#227;o havia ningu&amp;#233;m para falar.&amp;#8221; Claro que o nazista jamais ousariam a buscar o Papa, muito embora tamb&amp;#233;m n&amp;#227;o acredite que viriam ao encal&amp;#231;o dos cat&amp;#243;licos em repres&amp;#225;lia. Mas em se tratando de Hitler, n&amp;#227;o apostaria t&amp;#227;o alto. At&amp;#233; se justificaria essa boa inten&amp;#231;&amp;#227;o.&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Mas a verdade &amp;#233; que n&amp;#227;o acredito nas boas inten&amp;#231;&amp;#245;es. N&amp;#227;o acredito tamb&amp;#233;m que se o Papa tivesse se pronunciado, como garantem hoje rabinos e intelectuais judeus, algo teria sido diferente. O que acredito &amp;#233; que em se tratando do Papa, jamais poderia ter colocado seu trono em t&amp;#227;o alto muro e sentar sobre ele como se deitado em ber&amp;#231;o espl&amp;#234;ndido estivesse. Era sua obriga&amp;#231;&amp;#227;o dizer algo. Acredito tamb&amp;#233;m que os mesmos rabinos e intelectuais judeus que se pronunciam t&amp;#227;o categoricamente contra a beatifica&amp;#231;&amp;#227;o, s&amp;#227;o os mesmos que se calam diante das atrocidades cometidas contra palestinos. &lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;font face="Arial" size="4"&gt;Mas no fundo acredito mesmo que a boa inten&amp;#231;&amp;#227;o do Nazi-Pope II (Bento XVI para os mais &amp;#237;ntimos) n&amp;#227;o &amp;#233; nem de perto um gesto benevolente para com a mem&amp;#243;ria de seu antecessor, mas apenas a garantia da perpetua&amp;#231;&amp;#227;o do papado em vida e da sua santidade em morte. (A chama da vela que reza/Direto com santo conversa/Ele te ajuda te escuta/Larara&amp;#8230;)&lt;/font&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-4535628923788756436?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/4535628923788756436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=4535628923788756436&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/4535628923788756436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/4535628923788756436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2008/10/o-protocolo-da-f.html' title='O PROTOCOLO DA FÉ'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh4.ggpht.com/laurutsa/SPQk8keJGWI/AAAAAAAACwA/u7UDRCIT5Bc/s72-c/liturgia3_thumb%5B1%5D.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4236625572170266837.post-6129699006084147551</id><published>2008-10-05T16:31:00.000-03:00</published><updated>2008-10-29T20:18:32.321-02:00</updated><title type='text'>OS CEGOS QUE NÃO QUEREM VER</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://lh3.ggpht.com/laurutsa/SOkWV4POg_I/AAAAAAAACBo/4xkC9GkT9Pw/s1600-h/acegueira3.jpg"&gt;&lt;img style="border-width: 0px;" alt="a cegueira" src="http://lh5.ggpht.com/laurutsa/SOkWXNV7YjI/AAAAAAAACBs/8qMuTrHmffc/acegueira_thumb1.jpg?imgmax=800" border="0" width="394" height="284" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;font-size:100%;"&gt;Federação de cegos dos EUA pede boicote a "Ensaio sobre a Cegueira" &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;Los Angeles -1 out - A Federação Nacional de Cegos (NFB), a maior organização de cegos dos Estados Unidos, anunciou hoje mobilizações contra o filme "Ensaio sobre a Cegueira" em sua estréia por considerar que retrata os portadores de deficiência visual como depravados. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O filme, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles e que chegará aos cinemas americanos no dia 3 de outubro, é baseado no livro "Ensaio sobre a cegueira" do escritor português José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998, e relata o caos que haveria na sociedade se todo o mundo ficasse cego de repente. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;A obra segue fielmente a trama de Saramago, que pretende gerar uma reflexão sobre os padrões de comportamento e a moral do ser humano, e como esses se modificariam se passassem por uma situação limite. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Tahoma;"&gt;O enfoque desta história, no entanto, irritou a NFB às vésperas da estréia do longa-metragem nos Estados Unidos. "Os cegos aparecem no filme como incompetentes, sujos, viciados e depravados. São incapazes de fazer as coisas mais simples, como se vestir, se lavar e encontrar o banheiro. A verdade é que as pessoas cegas normalmente fazem as mesmas coisas que as que podem ver", disse Marc Maurer, presidente da NFB em comunicado.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Ao ler a notícia pensei instantaneamente “pior cego é aquele que não quer ver”, mas mesmo para tamanha bizarrice essa frase ainda seria um precário chavão. Tal como o livro de José Saramago, o filme Ensaio Sobre a Cegueira de Fernando Meirelles traz inúmeras metáforas e alegorias, sendo que a mais explícita é aquela que retrata toda humanidade como cegos e seu egoísmo e mesquinharia como imundice e escatologia. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Teríam os cegos se ofendido, na realidade, pela sua condição de deficientes visuais ou em seu âmago por serem tão humanos em última instância? Há tanto para explorar na fábula de Saramago que acreditava não ser possível haver espaço para banalidades como essa interpretação tão chula e "ao pé da letra". &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;O protesto é tão infeliz que mesmo sugerindo ser a tal cegueira branca do filme algo plausível, o organizador do boicote, o presidente da fundação de cegos, a confunde com sua deficiência afirmando que “&lt;em&gt;A verdade é que as pessoas cegas normalmente fazem as mesmas coisas que as que podem ver&lt;/em&gt;” .&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;É perceptível o contra-senso, pois o filme não trata dos cegos que normalmente fazem coisas do cotidiano mas de pessoas acometidas por uma cegueira anormal e que são obrigadas a se confinarem em um lugar que não conhecem geograficamente. O filme é sobre pessoas que jamais foram cegas e não sabem se o serão pelo resto da vida. O boicote vale-se de uma acusação tão absurda que não vale o tempo gasto para formular essa argumentação; apenas há que se lamentar. E muito!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Em uma resenha sobre o livro do autor português, o escritor e jornalista Marcelo Coelho diz “&lt;em&gt;(O Ensaio Sobre a Cegueira)  é como um grito de desespero; só que Saramago acha importante gritar o mais alto que possa, por saber que está diante de um público de surdos; (...) usando da ironia para reafirmar sua confiança de que ninguém é tão surdo a ponto de não perceber sua sutileza quando a usa, com a voz em falsete. Nessa confiança, há otimismo. Mas a sutileza em falsete é mais brutal do que sutil, porque o pessimismo a governa&lt;/em&gt;”. Resta-me apenas concluir que além de cegos estão surdos, e vivendo em uma fábula onde só há espaço para o literal e nenhum para o literário. Espero aqui não ofender os surdos, exceto aqueles que se fazem de "ouvidos moucos".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Seria cômico se todas as circunstâncias fossem levadas em consideração, se todo o cenário fosse avaliado. Esta associação de cegos é dos Estados Unidos, país que além de estar às vésperas de uma eleição presidencial, estão imersos em uma crise financeira que mudará os paradigmas entre a relação do Estado e mercado. Com o perdão da expressão, mas será que eles não estão vendo o que está acontecendo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Ao que tudo indica, os cegos tentam se inserir no contexto do políticamente correto, dos danos morais judiciais sempre convertidos em dólares, da reinvindicação da igualdade sem desiguais, da hipocresia que habita o consciente coletivo e do respeito a minoria não porque deve ser algo genuino, mas porque é uma dívida social que será sempre impagável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Toda essa história de protesto e mobilização  apenas corrobora a tese do ser humano que tem a mesquinhez disfarçada, a escatologia recatada e morbidez prudente, mas que não é vista porque mesmo para aqueles que não são cegos quando olham não vêem, quando vêem não enxergam e quando enxergam nunca reparam. Afinal, somos todos realmente (e quase literalmente) cegos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:130%;"&gt;Obs.: abaixo, a opinião mais importante sobre o filme&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="wlWriterSmartContent" id="scid:5737277B-5D6D-4f48-ABFC-DD9C333F4C5D:3283c260-d22e-454d-82ab-c3fb5e7f689a" style="margin: 0px; padding: 0px; display: inline; float: none; width: 610px;"&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="610" height="475"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Y1hzDzAvJOY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Y1hzDzAvJOY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="610" height="475"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4236625572170266837-6129699006084147551?l=reflexoseimpressoes.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/feeds/6129699006084147551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4236625572170266837&amp;postID=6129699006084147551&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/6129699006084147551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4236625572170266837/posts/default/6129699006084147551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://reflexoseimpressoes.blogspot.com/2008/10/os-cegos-que-no-querem-ver.html' title='OS CEGOS QUE NÃO QUEREM VER'/><author><name>Lau_roots</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00922279482361490426</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://4.bp.blogspot.com/-Cu-nBqwr9EM/ThOdcy7bNTI/AAAAAAAAIeA/zMk29Zzwk_g/s220/lau%2Bpreto%2Bno%2Bbranco.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://lh5.ggpht.com/laurutsa/SOkWXNV7YjI/AAAAAAAACBs/8qMuTrHmffc/s72-c/acegueira_thumb1.jpg?imgmax=800' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
