| Fotos: Tudo Meu, tudo meu |
reflexos e impressões
Escrevo para mostrar um pouco de mim, um pouco do que penso. Escrevo para descobrir o resto de mim. Penso pra escrever, escrevo pra pensar e pra fazer pensar. Escrevo pra viver e para um dia, quem sabe, viver para escrever. Farei deste espaço o reflexo do meu ser e o arquivo de minhas impressões.
terça-feira, 14 de maio de 2013
"Ta bom"...eu te amo
terça-feira, 5 de março de 2013
Cafés e Sílabas Tônicas (homenagem a Tati Cavalcanti)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Um sonho a caminho de Bora Bora
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Can you hear me Major Tom?
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
"Non creo en brujas"...azar o seu
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Canções Coloridas pra Caio
Quando John Lennon morreu, Gabriel Garcia Marques publicou uma crônica linda dizendo que pela primeira vez via uma catástrofe comum a todas as gerações. Ia além, dizendo que isso era, portanto, uma vitória da poesia, pois em quarenta e oito horas não se falou de outro assunto. Disse também que o universo estava contaminado pelos Beatles, não importasse quantos anos tinham as pessoas e que ninguém passava incólume a eles. Gabô sabia do que estava falando.
E foi com esse espírito, bastante influenciada por relatos de um amigo que lembrava alguns de seus primeiros contatos com os Beatles, que resolvi dar início a experiência da iniciação. Caio tinha acabado de fazer seis anos quando baixei Yellow Submarine na internet. O filme, obviamente falado em inglês, só poderia ser visto em minha companhia. Foi assim, aconchegado no colo, que percebeu meu ato de amor por estar a ler todas as legendas com a entonação que o enredo pedia. Não queria que ele perdesse nada. Apenas me calava durante as músicas, e ele fazia o mesmo.
Caio assistiu fascinado àquela animação. Imaginem o significado que pode ter para uma criança um herói, ninguém menos que John Lennon, que usa óculos como ele. Ou então um mundo chamado de Pepperland pra alguém que tem Pimenta como sobrenome (as terras de Pimenta só podiam ser dele). Era o bem contra o mal, tal como a vida sempre nos fora explicada na infância. Assim, não precisávamos perder tempo com ilações que nos consumiriam tanto no futuro. Era apenas o amor e a música derrotando inimigos.
Ele notou que os traços da animação eram nada parecidos com os habituais desenhos de irritante perfeição gráfica e sonoridade dissonante. A combinação de cores sugeria uma sutil psicodelia. A Fábula leve, cheia de encantos perfeitamente possíveis para realidade fantástica de qualquer criança.
E, claro, a música dos Beatles.
Ele nem piscou. Gargalhou quando os Blue Menies fugiam. Adorou ver a luva azul malvada sendo derrotada por letras que ele começava a conhecer. E ao fim, ter a sua expectativa realizadas apenas porque o bem vencia o mal. Assim que o filme acabou, fiquei calada para não influenciar o julgamento. Ele suspirou e disse “é claro que eles são os melhores do mundo! Eles eram desenho que viraram uma banda”.
No conto que Gabô escreveu sobre a morte de Lennon, uma frase resume tudo “É assim: a única nostalgia em comum que a gente tem com nossos filhos são as canções dos Beatles. Cada qual com seus próprios motivos, e com uma dor diferente, como ocorre sempre com a poesia”. Pois, para nós não seria de outra maneira. Vai ser uma das nostalgias mais significativas. Foi, com o orgulho de mãe, que procurei ser aquela a levar Beatles pra vida dele só pra ser lembrada para sempre pelo feito. Mas ao contrário, acabei surpreendida.
Fiquei dias pensando o que eram humanos virando desenhos e depois voltando a serem humanos. Fazia todo sentido. Meu futuro terá, então, a mais bela nostalgia. Um garotinho com apenas seis anos explicando a razão da genialidade da banda que salvou sua terra das pimentas e um mundo da boçalidade.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Indesejável Companheira
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| Sala de espera favorita - Asu Indonésia |
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
El corredor intrépido sin equipaje
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Saíndo do Útero
Então quando minha vida do passou a virar do avesso a cada três dias e eu teimava com soluções que caminhavam em círculos, me atirei ao improvável. Pensei que se me inscrevesse pra uma prova e gastasse o dinheiro que não tinha seria como apontar um rifle pro meu peito. Exigiria assim uma satisfação do comodismo e dessa sua advogadinha de quinta.
Pra isso, procurei por uma prova que acontecesse a tempo de estar pronta, baseando-se em cálculos, planilhas de treino e intuição. A prova também teria que despertar mais que a vontade de correr.
Então, habemus Buenos Aires. Estaria longe, aproveitaria o feriado num tempo razoável e o dinheiro gasto me impediria de desistir da empreitada. Inscrição feita, rifle engatilhado.
No décimo terceiro quilômetro minhas pernas pesaram, cansaço gritou e só tinha o fôlego. Pedi pra desacelerar e ouvi “Não são suas pernas, é apenas a sua cabeça tentando dizer que você passou do limite habitual. Essa dor não existe. É só o medo de arriscar. Solta o corpo, ouça a música e o controle é seu”.
Na hora me pareceu sem sentido, mas a música era boa e só pensava na respiração. Contava inspira/expira como se fosse meu ofício diário, meu ganha pão. Ouvi o aplicativo dizer “quatorze quilômetros” e antes que percebesse ouvi “quatorze quilômetros e meio”. E então não sentia mais nada. As pernas, o corpo, o cansaço, nada. A voz que dizia para, morreu numa das passadas. Nem vi quando a deixei cair. Definitivamente tinha o controle.
Chegando ao ponto de partida, acumulávamos dezessete quilômetros e meio. “você aguenta seguir até os 21?”. Sim, eu aguentava. Eram apenas mais quatro, o mundo era meu. “Para, então. Agora você sabe que é capaz e tem dois meses pra botar esses quatro quilômetros na conta.”
Não é tão fácil quanto estou fazendo parecer, embora seja mais simples do que se poderia supor. Depende de quantos rifles e quantas vozes estão tentando tomar a torre de controle. É fato que ainda sinto as dores e o cansaço do quilômetro treze quando estou passando por ele, mas já negocio em outros termos. Sabemos quem manda e quem obedece.
Sigo correndo e no fundo é apenas isso que importa. O processo não termina nunca. A linha de chegada é apenas o momento de reflexão para se lançar a uma nova meta. E a nova meta é apenas a deixa para se lançar pra longe desse útero quentinho que é a acomodação.





